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Artigos › 28/05/2018

Doar-se e partilhar

Na próxima quinta-feira, dia 31 de maio, a Igreja Católica celebra a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, mais conhecida como Corpus Christi. Ela abre espaço para uma infinidade de reflexões, entre elas, concentro-me na narrativa da instituição da Eucaristia, segundo o evangelista São Marcos 14, 22-24: “Enquanto estavam comendo, Jesus tomou o pão, pronunciou a benção, partiu-o e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. Depois, pegou o cálice, deu graças, passou-o a eles, e todos beberam. E disse-lhes: “Este é o meu sangue da nova Aliança, que é derramado por muitos”. O evangelista São Lucas acrescenta: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19).

Cada vez que a Igreja realiza esta memória está trazendo para o presente a vida, a morte, a ressurreição de Jesus Cristo, tornando-o presente no mundo. Não se trata, porém, de uma simples recordação histórica, informativa para satisfazer a curiosidade. Fazendo a memória dos acontecimentos relacionados a Cristo educa-se o fiel a realizar aquilo que está celebrando desafiando-o a pensar e agir daquela maneira.

Da fala e da atitude de Cristo, no acontecimento da instituição da Eucaristia, evidenciam-se a doação e a partilha. Para os cristãos católicos e todos os que desejarem, poderíamos lançar um olhar sobre o mundo sob estes pontos de vista: doação e partilha. Nunca é demais lembrar que cada um é mundo, é corresponsável por ele. Os ensinamentos de Cristo raramente eram dirigidos a destinatários específicos, por isso são ensinamentos válidos para todos.

O dicionário tentando definir o verbo doar fala em transmitir gratuitamente, consagrar-se, dedicar-se, devotar-se, dar-se. Na definição aparece claramente um duplo sentido: dar algo externo, ou seja, um bem, uma coisa e o outro sentido é dar-se. Jesus falou claramente que estava se dando: isto é o meu corpo, isto é o meu sangue. É a oferta de sua vida para dar vida aos favorecidos.

Conseguir com o suor do rosto os meios necessários para ter condições de vida digna para si e dependentes é uma obrigação de cada um. Porém, para consegui-los precisamos dos outros e estabelecemos relações profissionais, comerciais, etc. É preciso estar atento para não transformar todas as relações em comerciais, isto é, tudo deve ser concluído com pagamentos.

Os apelos que constantemente nos vem para doar coisas e doar-se são um santo remédio. As pessoas e a sociedade curadas têm mais vitalidade e alegria. Apelos de trabalhos voluntários em instituições já existentes e em novas que podem ser criadas; doação de sangue e órgãos para quem se enquadra nas condições exigidas; doação de alimentos e roupas não nos deixam indiferentes.

A segunda palavra é partilha, isto é, dividir, repartir. Na Ceia Pascal Jesus tomou o pão, o partiu e distribuiu, e o mesmo fez com o cálice partilhando o vinho. Um gesto que aponta para quem está ao lado e estimula a repartir para manter a unidade. Matematicamente aquele que divide fica com menos, porém considerando outras dimensões da existência humana, a partilha é soma, é mais, é comunhão, é inclusão social, é dignidade de vida.

Por Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

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